
Preciso desabafar, de alguma forma, e nada me conforta mais que escrever.. Tentei novamente viver na ilha de SC (vulgo Florianópolis), e novamente não deu, alguma coisa naquela cidade não deixa eu viver bem lá.. Algo que eu quero não tem, as coisas que quero fazer não se concretizam conforme o esperado, os amigos estão sempre ocupados demais( não os culpo, mas sinto falta), a comida não tem muito gosto, fico desorientada entre a multidão de gente e carros, em momentos sinto-me sitiada.. Os primeiros dias como sempre bons, mas depois começa o isolamento, ninguém te dá "bom dia", não há sorrisos, abraços, muito menos conversas com estranhos... Ontem saindo da ALESC resolvi vir caminhando pela Avª Mauro Ramos recordando que dois dos momentos importantes da minha vida aconteceram naquela rua, naquele velho apartamento, onde fui concebida e onde meu pai resolveu me abandonar. Lembrei o quanto era simpática e acolhedora a rua na minha infância, enquanto passava pelo cruzamento da "Mauro Ramos" com a "Vítor Konder" recordei que meu sonho de criança era morar naquela casa da esquina de frente para praça Etelvina Luz, hoje parecendo um casarão mal assombrado. Na volta para o meu "lar" a tristeza começou, estaria sozinha com os gatos mais uma noite, a sensação de vazio quando vi aquele apartamento escuro transbordou em lágrimas cessando somente quando vi minhas malas feitas. A ânsia de voltar para casa e o medo da reação da mütter transformou em insônia..Passei a madrugada organizando o que iria dizer em casa, mas como sempre nada saiu conforme planejado. Ao percorrer 296km, no descer do ônibus na Rainha do Sul Catarinense (vulgo Araranguá), a visão mais temida estava me esperando, com a suavidade e força de uma verdadeira Helena, ela me fuzilava com seus grandes olhos, as suas poucas palavras na minha cabeça causam efeito devastador, eu não consiguia raciocinar, começei a falar, gritar, acabei perdendo rumo, e ficando pior do que já estava..Posso parecer fraca e mimada(palavras da mütter) por não saber conviver sozinha, mas creio ainda não estar preparada para viver de vez longe de casa, e a hostilidade da vida em cidade grande....
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